segunda-feira, 27 de junho de 2011
Não tão longe do Inferno
Não tão longe do Inferno e é equivocado dizer que lá é quente. É frio, tanto que mal me sinto... e como sinto muito por mim.
Lá é solitário, por isso frio. É necessário calor humano, mas não há preocupação, nem tão humanos, então se sente frio.
Estou de braços cruzados, escorada no que se chama Portal do Inferno, lágrimas se gelam empedrando em minha face. Daqui vejo almas em auto-flagelo, umas agonizando e outras se deliciando no prazer da dor, da sua dor. E nem sei se estou entrando ou saindo, só sei que se há pressa. Há pressa para se sofrer, há pressa de sangue.
Espera, o que são aquelas pessoas rindo? Me parecem alegres, ou são felizes? Talvez se encontrem na mesma situação que a minha: Sorriem chorando. Ou talvez sejam um casal.
Será danoso á mim entrar de uma vez ou acabará sendo uma forma de fugir de tudo, assim como o casal? Olhando para trás, percebo que o inferno é lá. Lá é quente, lá é perturbador, lá é onde tu moras. Entre meio tudo, procuro motivos para voltar, mas entre eles só me deparo contigo, e nem em pensamentos consigo te encarar. Seus olhos, os meus lagrimejam. Sua insignificância é significante por demais á mim.
Estou tentando me afastar, e isso por si só já se faz inferno.
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