segunda-feira, 27 de junho de 2011
Não tão longe do Inferno
Não tão longe do Inferno e é equivocado dizer que lá é quente. É frio, tanto que mal me sinto... e como sinto muito por mim.
Lá é solitário, por isso frio. É necessário calor humano, mas não há preocupação, nem tão humanos, então se sente frio.
Estou de braços cruzados, escorada no que se chama Portal do Inferno, lágrimas se gelam empedrando em minha face. Daqui vejo almas em auto-flagelo, umas agonizando e outras se deliciando no prazer da dor, da sua dor. E nem sei se estou entrando ou saindo, só sei que se há pressa. Há pressa para se sofrer, há pressa de sangue.
Espera, o que são aquelas pessoas rindo? Me parecem alegres, ou são felizes? Talvez se encontrem na mesma situação que a minha: Sorriem chorando. Ou talvez sejam um casal.
Será danoso á mim entrar de uma vez ou acabará sendo uma forma de fugir de tudo, assim como o casal? Olhando para trás, percebo que o inferno é lá. Lá é quente, lá é perturbador, lá é onde tu moras. Entre meio tudo, procuro motivos para voltar, mas entre eles só me deparo contigo, e nem em pensamentos consigo te encarar. Seus olhos, os meus lagrimejam. Sua insignificância é significante por demais á mim.
Estou tentando me afastar, e isso por si só já se faz inferno.
sábado, 25 de junho de 2011
Mais parecia uma manhã de domingo
Hoje. Sempre hoje. Hoje lhe tive.
Antes me direcionei toda aos céus e reverenciei a lua e como se ela fosse Deus rezei e pedi, pedir é o que move o mundo, então não me ridicularizo por isso, aliás, quem nunca rezou olhando para as alturas imaginando estar mais próximo do Altíssimo, o Senhor? E me enchi de esperanças, pensei: " em uma manhã onde sol e lua dividem o mesmo céu, seria impossível algo dar errado. Estava certa.
Ali diante ti éramos apenas eu e meu orgulho, daí a pouco fui apenas eu, pois sei que meu orgulho nunca me apoiou em nada que desse certo. Então não erraria novamente.
Mais parecia uma manhã de domingo, em que levantamos bem cedo, abrimos a janela e deixamos o sol nos queimar a face só pra ter certeza de vida. Uma manhã em que não se há pressa, em que até o vento sopra calmo com uma essência de preguiça. E a manhã é tão magnífica que nem nuvens se arriscaram na ousadia de perturbar. Nas manhãs de domingo eu costumava ir á Igreja, hoje não mais, não direi porque, apenas aceitem que não. Mas mesmo tanto tempo depois, senti saudade e então me reverenciei ao seu templo, esse seu corpo que me abriga, sem forçar á ficar, que seduz a contemplação e á serenidade dos atos, digo... orações.
Seus beijos que até então eram tão beijos, nessa manhã passaram a ser reabastecimento irrevogável e indiscutível de vivificação do ser, do meu ser, digo agora, eu.
E ríamos incessantemente como se a alegria fosse tão inevitável como a careta de um bebê ao, por primeira vez, deliciar-se em um limão. Tão inevitável e natural que por um momento pensei que aquela alegria era verdadeiramente minha por direito e merecimento, tão natural que rir não me doía como sempre doeu.
Quem sou eu para falar dos pregos que crucificaram Jesus, mas na minha insignificante existência penso que aqueles pregos foram cravados com a mesma crueldade, força e desonestidade com a qual um dia, se realmente existe, uma fecha me acertara, flecha de cúpido. Flecha de cobre, não de ouro. É tão patético falar de cúpidos e flechas, mas creio realmente que não seriam tão grandiosos e fortes nossos elos, se não fosse tão doloroso e trágico.
E sem dúvidas a única intensão é matar. Mas não morro, não antes desse amor. Não mesmo. E se eu morrer antes será morte do coração; razão ? Amei demais.
Era sangue ou amor, o amor era e sempre será em maiores proporções.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
O mais Doce Pecado
E então o amei. Enfurecidamente e tão somente quão ligeiramente o queria não comigo, mas sim por mim.
Eu o desejei assim como a luneta deseja a lua, assim como uma boca deseja a outra. Desejei-o esmagadoramente, meu mais doce pecado.
Debaixo de uma luz amarela, ouvindo uma música que citava seu codinome, chorei vestida em sua camiseta, a qual, por minha salvação, era impregnada por seu perfume. Chorei de saudades, pois ainda te tendo aqui a saudade já é insuportável.
E tive pena, pena de mim. Pena da vida que ainda resta aqui; vida a qual, talvez por uma desesperada esperança tenta me convencer que eu viva melhor sem ti.
Morte da alma; pra mim não basta a vida corpórea.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Antes que a abstinência me mate
Pensei e tentei suportar a ideia de que estaria sã apenas, solitariamente apenas; porém vejo que ser apenas, solitariamente apenas, não é algo que irá curar, não será algo controlável e piedoso.
Isso me faz crer que piedade não existe. Não há piedade quando se sofre, não há piedade quando se vive, não há piedade quando se morre, não se é piedoso quando se ama, não se é piedoso quando se é humano, não é digno de piedade quando uma madame passa por uma calçada desgastada, se equilibrando em seu salto, enfia a mão na bolsa e joga... e joga, na caneca de alumínio amassado, um vintém. Não há piedade quando se vive sempre com uma lágrima á cair pela face. Entretanto, ver meu amor se distanciando ao tocar outra face, deitando em outros aconchegos e sorrindo em outros sorrisos, me parece muito digno de piedade. A ponto de ser uma piedade mendigada.
Pensei que seria fácil decidir-me entre viver e sobreviver, e até estava me adaptando á sobreviver, mas quando o vi tentando viver em outra vida, tateando outros cabelos... senti uma inveja mortal. Parecia que nada se decompunha mais ligeiramente que meu podre e duro coração, parecia que não havia mais chão onde pisar, que meu corpo estava a se deteriorar.
Tive desejo de morte, desejo de carne, a sua carne. Tive medo, medo de não mais ser passível á mim sua felicidade. Te jurei de morte.
Percebi que a sua alegria era esmagadoramente insuportável. Que não seria de mais ninguém, se não minha. Desculpa por ser tão humana e egoísta, mas não aguento carregar a certeza de que serias feliz sem mim, de que sem mim terias tudo.
Te preciso. Te vivo. Te respiro, porém não como o ar essencial e sim como a droga tragada viciante.
De quebra , quero primordialmente e indiscutivelmente que se dane a droga da minha sagacidade e autossuficiência, preciso sanar minha necessidade antes que a abstinência me mate.
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