Hoje. Sempre hoje. Hoje lhe tive.
Antes me direcionei toda aos céus e reverenciei a lua e como se ela fosse Deus rezei e pedi, pedir é o que move o mundo, então não me ridicularizo por isso, aliás, quem nunca rezou olhando para as alturas imaginando estar mais próximo do Altíssimo, o Senhor? E me enchi de esperanças, pensei: " em uma manhã onde sol e lua dividem o mesmo céu, seria impossível algo dar errado. Estava certa.
Ali diante ti éramos apenas eu e meu orgulho, daí a pouco fui apenas eu, pois sei que meu orgulho nunca me apoiou em nada que desse certo. Então não erraria novamente.
Mais parecia uma manhã de domingo, em que levantamos bem cedo, abrimos a janela e deixamos o sol nos queimar a face só pra ter certeza de vida. Uma manhã em que não se há pressa, em que até o vento sopra calmo com uma essência de preguiça. E a manhã é tão magnífica que nem nuvens se arriscaram na ousadia de perturbar. Nas manhãs de domingo eu costumava ir á Igreja, hoje não mais, não direi porque, apenas aceitem que não. Mas mesmo tanto tempo depois, senti saudade e então me reverenciei ao seu templo, esse seu corpo que me abriga, sem forçar á ficar, que seduz a contemplação e á serenidade dos atos, digo... orações.
Seus beijos que até então eram tão beijos, nessa manhã passaram a ser reabastecimento irrevogável e indiscutível de vivificação do ser, do meu ser, digo agora, eu.
E ríamos incessantemente como se a alegria fosse tão inevitável como a careta de um bebê ao, por primeira vez, deliciar-se em um limão. Tão inevitável e natural que por um momento pensei que aquela alegria era verdadeiramente minha por direito e merecimento, tão natural que rir não me doía como sempre doeu.
Quem sou eu para falar dos pregos que crucificaram Jesus, mas na minha insignificante existência penso que aqueles pregos foram cravados com a mesma crueldade, força e desonestidade com a qual um dia, se realmente existe, uma fecha me acertara, flecha de cúpido. Flecha de cobre, não de ouro. É tão patético falar de cúpidos e flechas, mas creio realmente que não seriam tão grandiosos e fortes nossos elos, se não fosse tão doloroso e trágico.
E sem dúvidas a única intensão é matar. Mas não morro, não antes desse amor. Não mesmo. E se eu morrer antes será morte do coração; razão ? Amei demais.
Era sangue ou amor, o amor era e sempre será em maiores proporções.

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